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Futuro próximo ?!

“Uma nova geração de artistas vai escrever genomas com a fluência com que Blake e Byron escreveram versos.” — Freeman Dyson  (imagem: “A Escada de Jacó”, de Blake)

Trecho de artigo do venezuelano Jason Silva em que ele apresenta algumas das idéias que pretende explorar em seu futuro filme “Turning into Gods”

Why We Could All Use a Heavy Dose of Techno-optimism

(“Por que deveríamos ter uma alta dose de techno-otimismo?”)

Publicado originalmente no Vanity Fair

JASON SILVA

Em uma recente conferência do TED, um jantar foi organizado pela Fundação Edge, um think tank sem fins lucrativos que celebra as grandes idéias. O tema da noite foi a “Nova Era da Maravilha”, e a discussão atraiu comparações com a Era Romântica, o período entre 1770 e 1830, quando a ciência ea arte eram amigas. Foi um tempo em que os astrônomos e poetas foram, de certa forma indistinguíveis, assim como artistas eram inspirados pela ciência por um senso inebriante de respeito e admiração. Em algum lugar abaixo da linha, no entanto, esses dois mundos tornaram-se incoerentes.

Talvez até agora. Estamos à beira de uma revolução bio/nanotecnológica/inteligência artificial que vai abrir novos mundos de exploração. E devemos abrir nossas mentes para a ilimitadas e e alucinantes possibilidades.

De acordo com o físico e escritor Freeman Dyson, nesta Nova Era da Maravilha “uma nova geração de artistas vai escrever genomas com a fluência com que Blake e Byron escreveram versos.” Leve isso em conta por apenas um minuto: ele está dizendo que nós estaremos aplicando o nosso talento criativo para o tecido do que somos.

Aqui estão algumas previsões do que poderíamos ver: 

• As lentes de contato como computadores. As lentes terão L.E.D. circuitos com reconhecimento de padrões e ligação à Internet de alta velocidade, cujos resultados irão sobrepor ao mundo digital na parte superior do mundo real, criando uma realidade aumentada. Basicamente, isto significa que as lentes podem fazer um computador invisível aparecer bem na sua frente.

• A cura da morte. O biogerontologista Aubrey de Grey viaja pelo mundo promovendo a investigação de novas terapias de rejuvenescimento para fazer todos nós possamos viver 1.000 anos. Ele acredita que o envelhecimento é simplesmente uma doença que não tem cura e que rouba 100 mil de pessoas por dia suas vidas, amores e vitalidade. Ele chama SENS sua pesquisa: Estratégias para Engenharia de Senescência Mínima. (Eu explorei essa idéia em meu filme The Immortalists.).

• Projetar cérebros humanos. O autor best-seller, futurista e inventor Ray Kurzweil diz que estamos a menos de três décadas de distância da engenharia reversa do cérebro humano em um computador capaz de criar uma inteligência mais inteligentes que a de humanos (A IBM espera fazer engenharia reversa do cérebro humano até 2030.) Kurzweil defende que, então, iremos nos fundir com esta inteligência e tornarmo-nos pós-biológicos, ou seja, ainda seremos humanos, mas melhorados. Nesse ponto, nós vamos simplesmente fazer back up de nossas mentes do mesmo jeito que fazemos backup de fotos digitais, eventualmente mudando nossa consciência para a Internet.

A cura para todas as doenças. Nanorobôs médicos do tamanho de hemácias farão engenharia reversa de nossa bioquímica para que nunca fiquemos doentes.

Há outros atualmente empurrando os limites do que é possível fazer — mavericks inaugurando o que é dito ser uma era de computadores e da biologia e um retorno à maravilha. Alguns poderiam dizer que estamos mexendo com forças que não entendemos completamente. Mas eu afirmo que a evolução destas tecnologias são precisamente o que significa ser humano: a nossa história é marcada por uma curiosidade implacável e nossa incrível capacidade de transcender os limites do que é considerado possível.

Nós somos a primeira espécie que cria tecnologia. Usamos a tecnologia para ampliar o nosso alcance. Nós não ficamos nas cavernas, e não estamos nos limitando ao planeta. Para tocar jazz com nossos genomas e o universo pode vir a ser o que nós somos. O biólogo Edward O. Wilson estava certo quando disse: “Nós desativamos a seleção natural … a força que nos fez assim… temos de olhar profundamente dentro de nós mesmos e decidir o que desejamos nos tornar.” (ou, como o autor de ficção científica britânico, inventor e futurista Arthur C. Clarke disse, “Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica.”)

Se o processo da vida é sobre se mover para uma maior complexidade e organização, uma espécie de sublime desdobramento de sistemas cada vez maior de auto-organização, então estamos realmente fazendo muito bem. Certamente existem desafios pela frente, mas há também potencial para profunda grandeza. O Grande Colisor de Hadrons é apenas o exemplo mais recente dos feitos magníficos da humanidade.

Nós não devemos ter medo de empurrar os limites, em vez disso, devemos alavancar nossa ciência e nossa tecnologia, juntamente com nossa criatividade e nossa curiosidade, para resolver os problemas do mundo. Talvez Stewart Brand estava certo: “Somos como deuses e poderiamos ser bom nisso.” Afinal, mais poder acarreta mais responsabilidade.

Assista ao vídeo de Jason sobre o filme que pretende fazer: http://vimeo.com/10939144

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Transhumanismo, o que é ?

O QUE É TRANSHUMANISMO?


Importante: este artigo, além de informação, posiciona-se favoravelmente ao transhumanismo. Se você procura um texto imparcial, recomenda-se o verbete transhumanism na Wikipedia em língua inglesa.

Transumanismo (também simbolizado por >H ou H+) é um movimento intelectual e cultural que defende o uso da ciência e da tecnologia para aumentar a inteligência, a longevidade e o bem-estar dos seres humanos. Os transhumanistas consideram certos aspectos da condição humana (tais como as deficiências físicas e mentais, o sofrimento, a doença, o envelhecimento e a morte involuntária) como desnecessários e indesejáveis. Transhumanistas se voltam para a biotecnologia e tecnologias emergentes para estes propósitos.

Talvez seja possível

possível identificar no ideário transhumanista um dos mais antigos anseios da civilização: o de reduzir o contraste entre a exuberância de nossos sonhos e a indiferença das limitações humanas para com eles, anseio este particularmente visível no movimento romântico:

“O romantismo é a busca permanente da transcendência, um impulsionar permanente para a frente, pela impossibilidade de conhecer a priori quais são os limites da experimentação humana, pela negação de que seja possível reconhecer antecipadamente o que é que nos limita, o que eu não posso conhecer. (…) Só é possível conhecer a extensão do romantismo, a extensão da subjetividade, experimentando a sua superação, experimentando transcender-se não no sublime, no sublime divino, mas transcender-se no humano, transcender-se em outras obras, transcender-se para frente, nos experimentos, na novidade.”[1]

Ao invés de façanhas memoráveis, literatura ou esportes, para os transhumanistas, este anseio é instrumentalizado pela ciência e assumidamente objetiva transformar a condição humana, aprimorando-a. Com as faculdades físicas e cognitivas melhoradas, os transhumanistas aspiram aumentar o bem-estar dos seres senscientes e explorar os confins do Cosmo.

Assim como os humanistas, transhumanistas enaltecem a razão, o progresso, o método científico e o bem-estar humano. Todavia, os transhumanistas declaram que levam o humanismo um passo a frente, desafiando os limites humanos através da ciência e da tecnologia, vislumbrando, na humanidade, um estágio transitório no desenvolvimento evolucionário da inteligência pelo Universo. Nas palavras do físico Freeman Dyson “a Humanidade parece-me como um começo magnífico, mas não a última palavra.”


“A Humanidade parece-me como um começo magnífico, mas não a última palavra.” — Freeman Dyson

Perspectivas para o aprimoramento humano

A ciência como ferramenta para o aumento do bem-estar e transcendência humana — um ponto de vista comum entre os transhumanistas.

+HISTÓRIA

Os objetivos transhumanistas são tão antigos quanto a humanidade — para ficar entre os exemplos mais evidentes, basta lembrarmo-nos dos egípcios, na antiguidade, e dos alquimistas na Idade Média. Da mesma forma, um estado de felicidade suprema e imortalidade da alma (isto é, uma forma de contornar a morte) é a promessa fundamental por trás de todas as religiões.


Apesar de novidadeiros, transhumanistas compartilham objetivos (como a
imortalidade, perseguida pelos egípcios na antiguidade e pelos alquimistas na idade média, dentre tantos outros) que remontam à aurora da civilização



A conquista do ideal da beleza e da perfeição, semi-deuses ciumentos com poderes supra humanos, criaturas estranhas e superinteligentes como os centauros: o futuro da humanidade lembrará em algum aspecto o passado mitológico?


O movimento intelectual que advoga o emprego da ciência moderna (que conta com apenas 400 anos) para alcançar estes objetivos, todavia, é bastante recente. O termo transhumanismo foi criado pelo biólogo Julian Huxley em 1957, que o definiu como a doutrina do “homem continuando homem, mas transcendendo, ao perceber novas possibilidades de e para sua natureza humana”. A concepção atual do termo, no entanto, difere significativamente da definição de Huxley.

Em 1966, FM-2030 (antes F.M. Esfandiary), um futurista estadunidense da New School University, começou a identificar como “transumano” (uma referência a “humano transitório”) — “pessoas que adaptavam tecnologias, estilos de vida, e visões de mundo transicionais a uma pós-humanidade.” Embora bastante próxima da concepção atual, a definição de FM-2030 era ainda mais ampla que a atual.


FM-2030, um dos precursores do movimento transhumanista, definia-se como “uma pessoa do século XXI  acidentalmente lançado no século XX, tendo uma profunda nostalgia do futuro.” Nascido em 1930 e falecido em 2000, FM-2030 encontra-se em congelado (suspensão criônica) na Alcor Life Extension)


A atual


A cura das deficiências físicas e mentais: um dos sonhos dos transhumanistas.

O uso do termo transhumanismo no sentido atual é creditado a Max Moore, significando a filosofia que diz que podemos e devemos nos desenvolver a níveis maiores, seja fisicamente, mentalmente ou socialmente, usando a tecnologia.

Alguns dos objetivos comuns aos transhumanistas são a eliminação da pobreza e sofrimento humanos, a cura das deficiências físicas e mentais, o aumento da inteligência humana, o prolongamento indefinido do tempo de vida do ser humano, visando a imortalidade, a criação de inteligência artificial e a exploração espacial.

Transhumanistas compartilham o entendimento de que a evolução dos seres humanos não deve continuar entregue (a não ser por aqueles que assim o desejarem) a um processo randômico de mutações. Ao contrário: os próprios humanos devem interferir, buscando o melhor caminho possível, na sua própria evolução.

Transhumanistas auto-declarados encontram-se espalhados pelo mundo, representando, segundo Michael Anissimov[2], um grupo de cerca de 10.000 pessoas, com uma rede social de aproximadamente US$3bilhões. O país com o maior número de adeptos são os EUA, com destaque para a California, estado símbolo da riqueza e bem-estar note-americanos, concentrando empresas e instuições de pesquisa que se encontram na fronteira da ciência. Foi na Universidade da Califórnia em Los Angeles, na década de 80, onde se reuniram as primeiras pessoas auto-declaradas transhumanistas. Na mesma Califórnia, em 2009, foi fundada a Singularity University (veja abaixo).

Simpatizante do movimento transhumanista, simbolizado pela expressão H+


+TRANSHUMANISTAS NOTÁVEIS

Abaixo, uma breve lista com alguns dos mais conhecidos transhumanistas declarados e simpatizantes.
Aubrey de Grey – O QUE ESTUDOU: ciência da computação, com um doutorado especial em biologia pela Universidade de Cambridge (a famosa instituição por onde passaram Issac Newton e Charles Darwin).O QUE FEZ/DEFENDE: criou a Fundação SENS e defende que será possível a seres humanos vivos atualmente viverem indefinidamente. SAIBA MAIS: Folha de S. Paulo (online) – Geneticista defende tese de que é possível viver mil anos)

Ben GoertzelO QUE ESTUDOU: doutorado em matemática pela Temple University. O QUE FEZ/DEFENDE: Fundou empresas nas áreas de inteligência artificial (Novamente) e bioinformática (Biomind), onde desenvolve projetos de inteligência artificial aplicada. Com recursos provenientes destes empreendimentos, financia seu projeto de criação de uma inteligência artificial geral poderosa. A ideia de Goertzel e seu time é criar um “bebê AI”. Uma vez criada, esta entidade passaria por sucessivos aprimoramento até transformar-se em um “cientista AI”, capaz de fazer descobertas científicas e produzir conhecimento útil por si próprio. SAIBA MAISGoogle Tech Talk by Ben GoertzelBen Goertzel’s web site and blog

João Pedro de MagalhãesO QUE ESTUDOU: microbiologia, na Universidade do Porto. Realizou pós-doutorado em Harvard. Atualmente, encontra-se na Universidade de Liverpool. O QUE FEZ/DEFENDE: pesquisador da biologia do envelhecimento, criou o  maior banco de dados sobre a genômica do envelhecimento. Defende que lutará para viver para sempre — ou que morrerá tentando. SAIBA MAIS:


Marvin MinskyO QUE ESTUDOU: professor de ciência da computação no MIT. O QUE FEZ/DEFENDEfoi co-fundador do Laboratório de Inteligência Artificial (MIT AI Lab, atualmente MIT Computer Science and Artificial Intelligence Laboratory — CSAIL). Famoso por suas pesquisas, é até citado no clássico de Arthur Clarke “2001 – Uma Odisséia no Espaço” (levado ao cinema por Stanley Kubrick). É membro da Alcor Life Extension e defende a criação de uma superinteligência benéfica. É autor de “The Emotional Machine” e “Mind Society”. SAIBA MAIShttp://web.media.mit.edu/~minsky/

“Acho que o grande problema é que não somos inteligentes o suficiente para entender quais dos problemas que temos são bons o suficiente. Portanto, temos de construir máquinas superinteligentes como o HAL. (…) Podemos ficar mais inteligentes. Acho que já somos bem inteligentes, comparados com chimpanzés, mas não somos inteligentes o suficiente para lidar com os problemas colossais que enfrentamos, seja na matemática abstrata ou em entender economia ou manter o equilíbrio do mundo.” Marvin Minsk (em palestra no TED)

Nick Bostrom O QUE ESTUDOU: é professor de filosofia na Universidade de Oxford. O O QUE FEZ/DEFENDE:  fundou e dirige em Oxford o “Future of Humanity Institute”. É também o fundador da Associação Mundial Transhumanista (WTA, em inglês), atualmente chamada Humanity Plus.defende o ideário transhumanista, ciente de que não apenas desafios técnicos (a serem enfrentados pelas ciências naturais) mas, também, importantes e difíceis questões éticas e sociais, encontram-se diante dos transhumanistas. SAIBA MAIShttp://www.nickbostrom.com/ Palestra no TED: http://www.ted.com/talks/lang/eng/nick_bostrom_on_our_biggest_problems.html

Peter Diamandis O QUE ESTUDOU: engenharia no MIT e, no mestrado, medicina na  Harvard Medical School. O O QUE FEZ/DEFENDE: co-fundador da Singularity University, criou com Paul Allen (o co-fundador da Microsoft) a SpaceShipOne, a primeira espaçonave pilotada não governamental da história. Sua empresa Space Adventures foi responsável por levar Dennis Tito à Estação Espacial Internacional em 2001, tornando-o o primeiro turista espacial da história. Atualmente, a Space Adventures planeja a primeira viagem privada à Lua, em um vôo orbital, que abrirá uma nova era na exploração espacial. Defende os ideais transhumanistas e parece se interessar, especialmente, pela exploração espacial.

Peter ThielO QUE ESTUDOU: empresário O QUE FEZ/DEFENDE co-fundador do Paypal (sistema de pagamentos online) e investidor inicial do Facebook. Thiel financiou o Singularity Summit, série de encontros que visam acelerar a singularidade, e doou U$3.5 million à Fundação Matusalém para pesquisa anti-envelhecimento. SAIBA MAIS:


Raymond KurzweilO QUE ESTUDOU: engenharia no MIT. O QUE FEZ/DEFENDE: Considerado o “Thomas Edson do século XXI” (Inventor do ano de 1998, pelo MIT; Medalha Nacional da Tecnologia 1999) e pioneiro no desenvolvimento de programas de reconhecimento de fala e caracteres ópticos (OCR). Uma de suas invenções de maior sucesso foi o software de leitura para cegos, utilizado e divulgado por um amigo e admirador de Kurzweil: o cantor Seteve Wonder. A vida e as idéias de Ray Kurzweil deram origem ao documentário “Transcendent Man” (2009, por Barry Ptolemy). É também autor de “A Era das Máquinas Espirituais” e “Singularity is Near”, livros que se tornaram “best sellers” do New York Times. Diferentemente de outros transhumanistas que se dedicam apenas a pesquisa ou ao associativismo, Kurzweil tem demonstrado interesse em divulgar o transhumanismo para o grande público.  Poder-se ia dizer que Kurzweil reúne em si todo o ideário transhumanista do qual é o grande divulgador. Em síntese, defende que a única forma de os seres humanos não serem extintos pela evolução das máquinas será pelo aumento da inteligência humana, somando-se à inteligência humana (biológica) as vantagens da inteligência não-biológica (os computadores). SAIBA MAIS: Nota biográfica da Editora Aleph na contra-capa de sua obra “Medicina da Imortalidade”:

“Ray Kurzweil é um dos principais pensadores, inventores e visionários do mundo. Denominado ‘gênio incansável’ pelo Wall Street Journal e ‘a última palavra em máquina pensante’ pela revista Forbes, as ideias de Kurzweil sobre o futuro são alardeadas por seus inúmeros fãs, que vão desde Bill Gates a Bill Clinton. A revista Time escreve: ‘A carreira eclética de Kurzweil e a propensão de combinar ciência com aplicações práticas — quase sempre humanitárias — inspiram comparações com Thomas Edison’. Ganhador da National Medal Of Technology e membro do National Inventors Hall of Fame, entre muitas outras homenagens.”
Assista à excelente entrevista na Globonews (com legenda em português): entrevista com Kurzweil GloboNews (parte1) e entrevista com Kurzweil GloboNews parte2 (Kurzweil explica o que é a Singularidade)

Trailler de “Transcendent Man”

Trailler de documentário crítico e premiado sobre a vida e ideias polêmicas de Kurzweil.


+ Simpatizantes

Larry Page na Singularity University em 2010: “Se eu fosse estudante, é aqui que gostaria de estar.” Assista ao vídeo aqui.


Lary Page Sergey Brin – Os fundadores do Google (ou da Google, se preferir) mantém uma atitude (como seria de se esperar, dada a posição empresarial e os boatos folclóricos de que o Google vai dominar o mundo) de discreto apoio às ideias transhumanistas. Além disso, o próprio Google estaria buscando criar uma inteligência artificial geral poderosa. O apoio, como se vê da frase abaixo, nem sempre é tão discreto.

Bill Gates Dispensa qualquer apresentação: é o bilionário cofundador da Microsoft. A suspeita de que tem simpatia ao transhumanismo surge de revelações de Kurzweil. Gates teria declarado que “Raymond Kurzweil é a pessoa que melhor conhece o futuro da tecnologia” e que “concorda com 99% do que Kurzweil diz”, embora o considere excessivamente otimista.

James Cameron – Embora nunca o tenha manifestado abertamente, há rumores de que o diretor de “Avatar” e “Titanic” seria um simpatizante ou, até mesmo, por meio de sua filmografia, um propagador de ideias ligadas ao transhumanismo. Há quem veja vários elementos transhumanistas em “Exterminador do Futuro” e “Avatar” . Em “Avatar”, por exemplo, a

ausência

ausência de uma inteligência artificial poderosa no século XXII teria sido proposital: se justificaria pela ideia alternativa (e menos acreditada entre os transhumanistas) de que a evolução da inteligência humana se daria pela amplificação da inteligência humana (“intelligence amplification”) e não por uma “explosão” de inteligência não-biológica (a singularidade) — no estilo do HAL de Arthur Clarke/Kubrick. Seria, em tese, um caminho evolucionário mais seguro para a evolução dos seres humanos (evitando o risco de sua exterminação). SAIBA MAIS: James Cameron’s Avatar is about Transhumanism

Stephen Hawking O QUE ESTUDOU: É professor de física na Universidade de Cambridge. É considerado um dos maiores gênios vivos. O QUE DEFENDE: também pode ser classificado como (ao menos) simpatizante do transhumanismo o consagrado físico inglês, professor na Cambridge University, em virtude de recente manifestação pública em que Hawking defendeu a idéia de que os seres humanos iniciaram um novo estágio na evolução e serão capazes de desenhar a própria inteligência, diminuir a agressividade humana e explorar outros planetas (ele próprio, um defensor dos vôos tripulados) — ambos objetivos, sobretudo os dois primeiros, transhumanistas. Além do mais, Peter Diamandis, notável transhumanista, patrocinou uma interessante experiência a  Hawking: um vôo de gravidade zero. Leia a notícia: Stephen Hawking: “Humans Have Entered a New Stage of Evolution”).



“Laws will be passed, against genetic engineering with humans. But some people won’t be able to resist the temptation, to improve human characteristics, such as size of memory, resistance to disease, and length of life. Once such super humans appear, there are going to be major political problems, with the unimproved humans, who won’t be able to compete. Presumably, they will die out, or become unimportant. Instead, there will be a race of self-designing beings, who are improving themselves at an ever-increasing rate. If this race manages to redesign itself, to reduce or eliminate the risk of self-destruction, it will probably spread out, and colonise other planets and stars.” – Sthephen Hawking[3]

+LOCAIS DE ENCONTRO


TransVision Nexus
Transhumanistas no Brasil ou pessoas interessadas em investigar mais o assunto podem encontrar-se em no auditório do TransVision Nexus, um lugar no
SecondLife de coordenadas: TransVision Nexus, 143, 43, 21 (veja aqui como se teletransportar no SecondLife). Para maiores informações (em inglês) sobre o TransVision Nexus, clique aqui.

O lugar geralmente encontra-se vazio, mas, se você quer encontrar alguém para conversar em tempo real, as maiores chances estão lá.


Transhumanists – Orkut
Comunidade de transhumanistas no Orkut, já teve cerca de 1.100 membros (antes do acentuado declínio do Orkut). Originariamente em inglês, mas, como tudo no Orkut, os brasileiros tomaram conta.
Link:
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=2188


HPlus Comunity
Comunidade virtual da Humanity Plus, com um fórum movimentado, mas em inglês. O número de membros ainda é reduzido (cerca de 700), mas a participação é intensa.
Link:
http://www.hpluscommunity.com/

+INSTITUIÇÕES


Singularity University (Singularity U)

Campus da Singularity University, no Ames Resarch Park, da NASA, na Califórnia.


A Singularity University é uma instituição acadêmica situada no Vale do Silício, Califórnia (mais precisamente, no Ames Parq, da NASA), que tem por objetivo “reunir, educar e inspirar” líderes  do futuro para enfrentar as dificuldades e aproveitar as oportunidades do desenvolvimento exponencial da tecnologia. A Singularity University teve como sócios fundadores o Google e da Nasa. (Leia notícia na Folha de S. Paulo: Nasa e Google financiam nova universidade em busca de “desafios da humanidade”). Para obter uma opinião crítica sobre a SingularityU: http://www.nytimes.com/2010/06/13/business/13sing.html

Vídeo promocional da SingularityU (com legendas). Currículos brilhantes (incluindo um Prêmio Nobel), otimismo autoconfiante e um bom marketing.


Vídeo inspiracional da Singularity University (2010)



Google

Foi um dos parceiros fundadores da Singularity University, conforme informado no site da própria instituição (http://singularityu.org/about/partners/).




Além disso, vários transhumanistas, como Ben Goertzel e Ray Kurzweil participaram das prestigiada série de palestras promovidas pela empresa denominada “Authors@Google”.

Palestra de Ray Kurzweil no Google


Ray Kurzweil visits Google’s Mountain View, CA headquarters to discuss his book “The Web Within Us: When Minds and Machines Become One.” This event took place on July 1, 2009, as part of the Authors@Google series.

Humanity Plus (World Transhumanist Association)

“Mais saudável, mais inteligente, mais feliz”


Humanity Plus” (anteriormente designada por “World Transhumanist Association” é uma organização internacional sem fins lucrativos que advoga o uso ético da tecnologia para expandir as capacidades humanas, defendendo o desenvolvimento e o acesso às novas tecnologias que permitirão a qualquer pessoa desfrutar melhores mentes, melhores corpos e melhores vidas. Em outras palavras, a Humanity Plus defende que as pessoas sejam mais do que boas: sejam melhores. A associação foi fundada pelo jovem filósofo de Oxford Nick Bostrom.

Sens Foundation

Iniciativa, dentre outros, de Aubrey de Grey, trata-se de uma fundação com sede na Califórnia com objetivo de financiar pesquisas para o retardamento do envelhecimento e o rejuvenescimento.


Alcor Life Extension Foundation


Com sede em Scottsdale, Arizona, trata-se de uma organização sem fins lucrativos que advoga o uso da criogenia (com utilização de nitrogênio líquido) para preservação dos seres humanos após a morte. O objetivo é manter os pacientes congelados até que tecnologias futuras possam trazê-los de volta.

Senador Al Gore, no futuro, após a criogenia, no desenho Futurama


Immortality Institute


Trata-se de uma organização com a missão de promover a pesquisa científica sobre extensão da vida, visando, um dia, acabar com a morte involuntária. É sustentada por doações de particulares.


+BRASIL



Apesar de o associativismo transhumanista ser inexpressivo no Brasil, o país  importância crescente. Eis alguns motivos:

  • Os brasileiros tornam-se adeptos com facilidade de novidades tecnológicas. A penetração da Internet no país e o fenômeno “Orkut” são algumas evidências disso;

  • Brasileiros são bastante preocupados com a saúde e, principalmente, aparência. Assim como ocorreu com as cirurgias plásticas, hoje popularizadas no país, a medicina regenerativa ganharia adesão espontânea no país e o crescente e importante mercado interno brasileiro ajudaria a fortalecer esta indústria;

  • Engenheiros e cientistas da computação de Belo Horizonte já ocupam papel de destaque em uma das mais importantes empreitadas para a criação de Inteligência Geral Artificial, o OpenCog. Foi a estes mesmos engenheiros brasileiros (com destaque para Murilo Queiroz e Lúcio Coelho) que Ray Kurzweil, a estrela do movimento, confiou a elaboração do chatbot Ramona 4 (aliás, por curiosidade, registre-se que o próprio Ben Goertzel, criador do OpenCog, nasceu no Rio de Janeiro e possui dupla nacionalidade, americana e brasileira).

  • FIAP (faculdade privada de São Paulo) tornou-se a primeira instituição de ensino superior no mundo a formar uma parceria com a Singularity University, levando brasileiros ao Vale do Silício e trazendo singularitários ao Brasil (como o ex-astronauta Dan Barry). O pioneirismo da instituição paulista é evidência da ausência de preconceitos e a abertura brasileira a ideias novas.

     

Kurzweil em “conferência holográfica” na Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

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Suplementação vitamínica e mineral para o cérebro

Abaixo, a tradução de trecho do Capítulo 2 (“BRAIN AND SLEEP”) do Livro “TRANSCEND – nine steps to living well forever” (de Ray Kurzweil & Terry Grossman), que traz informações sobre suplementação para o cérebro (dentre outras dicas). O livro pode ser importado pela Livraria Cultura ou pelo site Amazon.com. Antes de ler este livro, no entanto, recomendamos a obra anterior dos mesmos autores “Medicina da Imortalidade”.

Os três primeiros capítulos (em inglês) do livro foram gratuitamente disponibilizados pelos autores aqui: http://www.rayandterry.com/transcend/chapters.shtml . Se você não tem fluência em inglês, ainda assim pode ler os livros com ajuda do novo Tradutor do Google (que nos ajudou a traduzir o trecho abaixo).

 

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Estilo de Vida Saudável, cérebro saudável

Como já discutimos, em muitos aspectos, você é o que você pensa. Mas o velho lema de que você é o que você come também é verdadeiro. Além de desafiar seu cérebro, as nossas recomendações dietéticas, conforme descrito nos capítulos 11 e 13, constituem sua primeira linha de defesa para manter um cérebro saudável. Seu cérebro é feito de 60% de gordura e, por isso, consumir gorduras saudáveis é especialmente importante para a saúde do cérebro. Ambos EPA e DHA, os principais componentes da gorduras omega-3 encontrados em peixes, são componentes importantes no tecido cerebral. Inflamação (superativação do sistema imunológico) é um acelerador de grandes de envelhecimento do cérebro, por isso as nossas recomendações dietéticas que visam reduzir inflamação (tais como evitar carboidratos dealto índice glicêmico, tais como alimentos com açúcar e amido) são também importantes para a saúde do cérebro.
Foi demonstrado em estudos duplo-cego controlado com placebo que os seguintes nutrientes do cérebro apresentam benefícios significativos para a saúde do cérebro, tal como citado em importantes revistas médicas, como a Nature:

Suplemento
Dosagem recomendada
Esclarecimentos e dicas
(esta coluna nao consta no livro de Kurzweil)
Vinpocetina
10 miligramas duas vezes por dia
Trata-se de um remédio barato e facilmente encontrado nas farmácias brasileiras.
Fosfatidilserina
100 mg duas vezes ao dia durante 1 mês, diminuindo para
100 miligramas diários a partir daí
É encontrada na soja e, de forma mais concentrada (porém não pura) na lecitina de soja. A lecitina de soja da Sundown apresenta 1200 miligramas, mas, como dissemos, não é pura. A única informação (a respeito de outro produto) que encontramos sobre as concentrações presentes na lecitina de soja são as seguintes: “Cada cápsula de 500mg de Lecitina de Soja contém 41,4mg de Fosfatidilcolina, 36,8mg de Fosfatidiletanolamina, 23,0mg de Fosfatidilinositol e 4,6mg de Fosfatidilserina.”
Acetil-L-carnitina
de 500 a 1.000 miligramas duas vezes por dia
Não encontramos este produto no Brasil. Se você encontrou, pode compartilhar com as demais pessoas comentando o blog.
EPA / DHA

1.000 a 3.000 miligramas diárias de EPA
700 a 2.000 miligramas por dia de DHA
É popularmente conhecido como “Ômega 3”. No Brasil, uma marca conhecida é a Sundown, cujo comprimido contém
540miligramas de EPA e 360  nmiligramas g DHA. Logo, é preciso tomar pelo menos dois comprimidos desta marca.
Fosfatidilcolina
900 miligramas 2-4 vezes ao dia
Também presente na lecitina de soja.
SAMe
200-400 miligramas duas vezes por dia

Não encontramos este produto no Brasil. Se você encontrou, pode compartilhar com as demais pessoas comentando o blog.

Vinpocetina, um suplemento natural derivado da planta pervinca, aumenta o fluxo sanguíneo para o cérebro, assim como aumenta a produção de adenosina trifosfato (ATP), fonte energética do cérebro. Tem demonstrado melhorar a memória de pessoas com memória normal, assim como aqueles com comprometimento da memória.

Fosfatidilserina é um constituinte natural da membrana celular, mas é encontrados em concentrações elevadas, especialmente no cérebro. A suplementação com fosfatidilserina retarda a perda de memória e tem sido mostrado para inverter perda de memória em alguns pacientes com declínio de memória relacionada à idade. Ela também diminui níveis de cortisol, um hormônio principal do envelhecimento.

Acetil-L-carnitina é uma substância natural que fortalece a mitocôndria, as fontes de energia dentro da célula. Ele também protege o cérebro do envelhecimento por abrandar a inflamação do tecido cerebral.

 

Ginkgo biloba tem sido um grampo da medicina chinesa há milhares de anos. Ela aumenta o fluxo sanguíneo para o cérebro, e vários estudos mostram que reduz a perda de memória a curto prazo em idosos. Ginkgo biloba é uma droga receitada na Europa mais do que qualquer outra substância farmacêutica para a perda de memória.

 

EPA e DHA são os principais componentes de gorduras omega-3 e são ambos encontrado em altas concentrações no tecido cerebral. Ambos ajudam a manter as membranas celulares do cérebro flexível. Como mencionado, o cérebro é composto por 60% de gordura e quando EPA e níveis de DHA são insuficientes, o cérebro vai substituir as gorduras menos desejáveis, tais como gorduras omega-6 e até mesmo o perigoso ácidos graxos-trans. Quando isso acontece, membranas celulares perdem sua flexibilidade e a transmissão de sinais entre neurônios torna-se prejudicada. Muitos estudos têm demonstrado uma melhora do humor e alívio de sintomas como depressão e ansiedade com a suplementação com a EPA/DHA.

 

Fosfatidilcolina (PC), como discutido no Capítulo 2, é um componente chave da membrana celular de todas as nossas células, incluindo células do cérebro. Estudos mostraram que a suplementação com o PC pode ajudar com a memória e o aprendizado em seres humanos sem deficiência mental.

 

S-adenosil-metionina (SAMe) é um derivado natural de um aminoácido normalmente produzida pelo organismo, e desempenha um papel na metilação (ver Capítulo 5). Níveis do mesmo no organismo, muitas vezes se esgotam na meia-idade. Múltiplos ensaios clínicos têm demonstrado que ele oferece benefícios substanciais para pacientes com depressão. Este efeito ocorre de forma relativamente rápida, ao contrário do necessário para elevar os níveis na corrente sanguínea, que acompanha alguns medicamentos para a depressão. É, portanto, uma forma eficaz, natural e tratamento rápido de ação para a depressão leve. Testes em humanos também têm demonstrado benefícios para o fortalecimento do fígado e para o alívio da osteoartrite.

 

Tirei esse texto interessantíssimo do blog Fabuloso Futuro.

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Tempo,Espaço,Einstein e Re-Blog

Imagine um lugar onde o tempo é diferente para cada indivíduo, nenhum relógio marca a mesma hora. Coisas acontecendo em tempos diferentes. Você saiu para fazer despesas, mas para sua mãe você ainda esta mamando, para seu pai, você veio para um churrasco e para seus filhos, você esta durinho num caixão sendo velado. Neste lugar o que é futuro pra você pode ter acontecido há 20 anos para outro e ainda o presente para um terceiro indivíduo.
Que lugar é este?
Nada mais do que nosso precioso planeta Terra, visto sob a óptica de um Alemão muito conhecido por sua Teoria da Relatividade, Albert Einstein.
Se o que vai acontecer já é passado para outra pessoa, e o que passou não pode ser mudado, há um relevante questionamento a respeito do livre arbítrio, palavra que outrora representava uma verdade incontestável, passa a ser contemplada como uma sensação, a sensação do livre arbítrio.
O universo maluco, descrito acima, acontece exatamente enquanto está lendo, nenhum relógio marca a mesma hora, ninguém vive o mesmo presente. Não percebemos toda essa maluca visão do universo, pois ela ocorre num tamanho infinitésimo. Achei um texto na internet que explica exatamente este mundo bizarro e o conceito de espaço-tempo.
Palavras de Albert “A distinção entre passado, presente e futuro é só uma ilusão, ainda que persistente”. Mas porque ilusão? Existe algo mais concreto do que a passagem do tempo? Nascemos sabendo que as horas passam no mesmo ritmo, pra mim e pra você, que corremos para o futuro juntos. Mas Einstein descobriu que não: no mundo de verdade a gente viaja pelo tempo toda hora.
Bem menos potente que o De Lorean de De Volta para o Futuro, mas é. Einstein explicou que o tempo não é uma coisa etérea, mas um lugar. Uma dimensão por onde a gente caminha sem parar. Tipo: enquanto você está sentado, lendo esta revista, os segundos continuam passando, certo? Então é como se você cruzasse o tempo num trem invisível agora mesmo.
Até aí, nada demais. Agora é que vem a sacada: o alemão estipulou que esse trem anda a uma velocidade que pode ser medida em “quilômetros por hora”: exatamente 1,08 bilhão de km/h, a velocidade da luz.
E viu algo mais perturbador ainda: tempo e espaço são basicamente a mesma coisa. O casamento dos dois forma uma paisagem invisível: a do espaço-tempo. Então agora mesmo você pode dizer que está correndo à velocidade da luz através desse espaço-tempo. Claro que todo o 1,08 bilhão de km/h está sendo usado para mover só o tempo mesmo. Mas que você está a essa velocidade agora, está.
Mas tem um problema: para Einstein, nada pode atravessar o espaço-tempo mais rápido que a luz. Então se você já corre a 1,08 bilhão de km/h na “metade tempo” dessa paisagem, não tem de onde tirar velocidade para a “metade espaço”.
Mas espera aí. E se você levanta pra pegar um copo d`água? Vai precisar de uns 5 km/h na “metade espaço” para andar até a cozinha, certo? Essa velocidade tem de sair de algum lugar. Mas de onde? Da única fonte disponível: os motores que empurram o tempo.
Então você tira 5 km/h de lá pra andar até a cozinha. E a velocidade com que você atravessa o espaço-tempo fica redistribuída: 10 km/h vão para o espaço e 1,07999… bilhão de km/h para a do tempo. A velocidade do tempo funciona que nem um banco. Ela empresta quilômetros por hora para tudo o que se move. Mas essa agiotagem tem preço: faz seu relógio perder velocidade. O tempo começa a passar mais devagar para você. E é aí que o mundo mágico de Einstein começa a dar as caras.
Olha um exemplo de verdade: sentado na poltrona, você atravessa o tempo a 1,08 bilhão de km/h, já que seu trem está correndo a todo vapor, ok? Isso significa que 30 segundos vão passar em 30 segundos mesmo, sem mistério. Mas aí você arruma um Porsche e resolve sentar o pé na estrada. Chega a 180 km/h, por exemplo. Para Einstein, isso quer dizer que você pegou 180 km/h emprestados lá do banco do tempo.
Então seu relógio fica andando mais lento: um período que durava 30 segundos cravados quando você estava imóvel vai ter passado em exatamente 29,99999999999952 segundos. Enquanto a Porsche acelera você, ela freia o seu relógio. Mas só o seu. Do lado de fora do carro a velocidade do tempo continua igual. E o resultado é insólito: depois de uma hora com o pé embaixo no carro você vai ter envelhecido 0,0000000576 milésimo de segundo a menos do que tudo o que está lá fora. Isso mesmo. Seu relógio “biológico” também andou mais devagar. Tudo envelheceu um pouco mais rápido que você. As pessoas, as pedras, o Sol, a galáxia de Andrômeda… Tudo. E em que “lugar” tudo é mais velho do que hoje? No futuro. Depois de uma hora a 180 km/h, você viaja 0,0000000576 milésimo de segundo para o futuro.
Mas caramba. Tanta falação pra chegar nessa merreca? Pois é. O problema é que as velocidades que a gente vive no dia-a-dia são pequenas demais. Não dá para perceber esse efeito minúsculo delas sobre a passagem do tempo. Nem astronautas que já experimentaram velocidades de 40 000 km/h conseguiram fazer um rombo marcante no relógio deles. O crédito de 1,08 bilhão de km/h é generoso.
Mas quando a velocidade aumenta muito, o empréstimo começa a fazer diferença no caixa. Se esse Porsche andasse a mais ou menos 1 bilhão de km/h, por exemplo, o seu “banco do tempo” entra à beira da falência. Agora o mundo mágico aparece de vez.
Assim: imagine que alguém esteja num bar de beira de estrada. Chega um ladrão. São 12h15 e o bandido está nervoso, com um revólver apontado para o rosto do cara, pronto pra atirar. Então você passa com o Super Porsche pela rodovia, a 1 bilhão de km/h. Nesse momento, seu relógio também marca 12h15. Então o que você enxerga pela janela quando passa em frente ao bar? O homem sendo ameaçado? Não.
Os 1 bilhão de km/h fizeram o tempo passar mais devagar para você, lembra? Quando o seu relógio marcar 12h15 já vão ser 12h30 lá fora! A velocidade maior fez o seu tempo dar uma bela freada. Só o seu, note bem. O do resto do mundo continuou correndo no ritmo de sempre. Você foi ultrapassado pelo tempo. Em outras palavras: viajou para o futuro.
Então o que você enxerga quando passa em frente ao bar? Um cadáver. Ou o bandido preso… Seja o que for vai ver uma coisa que, para o homem que está com um revólver na fuça, ainda não foi decidida.
Esse é o paradoxo: você e o rapaz ameaçado estão vivendo o mesmo instante. Um momento que os dois chamam de “agora”. Mesmo assim, o que para ele é futuro é uma coisa que já está gravada na sua memória. Faz parte do seu passado. E dá para ir mais longe. Einstein mostrou que distâncias muito grandes também acabam com a idéia de que exista um “agora” igual para todo mundo.
Para alguém em outra galáxia, por exemplo, o momento em que você lê essa página pode ser entendido agora mesmo como um passado distante (veja quadro na próxima página). “A concepção dele sobre o que existe neste momento no Universo pode incluir coisas que parecem completamente abertas para nós, como o vencedor das eleições presidenciais dos EUA de 2100. Os candidatos ainda nem nasceram, mas na idéia dele sobre o que acontece exatamente agora já vai estar o primeiro presidente americano do século 22”, escreveu o físico Brian Greene, da Universidade Columbia, nos EUA, em seu livro The Fabric of the Cosmos (O Tecido do Cosmos), inédito em português. Parece estranho, mas para a ciência o ponto de vista de alguém num carro a 1 bilhão de km/h ou em outra galáxia é tão válido quanto o seu. Se ele é teoricamente possível, não pode ser desprezado.
E aí vem o ponto crucial. Se dá para dizer que o nosso futuro já aconteceu. Que poder a gente tem para escolher como vai ser o dia de amanhã? Onde vai parar nosso livre-arbítrio?
“Desaparece. O universo de Einstein, o da Teoria da Relatividade, não aceita a liberdade de escolha. O jeito como as nossas vidas se desdobram, do nascimento até a morte, está mesmo escrito. As escolhas que ainda vamos fazer já estão impressas no tecido da realidade. Tão impressas quanto as escolhas que a gente fez no passado” diz o filósofo especializado em física Oliver Pooley, do Centro de Filosofia da Ciência da Universidade Oxford, na Inglaterra.
Não podemos fazer nada pra mudar o destino. Ok. Mas se coisas como o rosto dos seus netos e o dia da sua morte estão “impressas” na natureza desde sempre, seria exagero pensar que, algum dia, a ciência poderia usar a matemática e a física para prever isso e tudo o mais? “Não teria como. Mesmo que cada evento do futuro seja baseado numa fórmula matemática já determinada, e é o que eu acredito, não daria para a gente saber quais fórmulas são essas antes que os próprios eventos acontecessem”, considera o físico Gerardus Hooft, da Universidade de Utrecht e vencedor do Nobel de física de 1999.
“Nenhum computador teria como decifrar a natureza, já que nada pode computar mais rápido que o Universo”, completa o holandês.
Sir Roger Penrose, da Universidade de Oxford e considerado o maior especialista em Relatividade do planeta, concorda: “Mesmo que o mundo seja completamente determinado, como diz a teoria, ele certamente não é computável”.
É isso aí: os horoscopistas podem tirar seus cavalos da chuva. Pelo jeito, o futuro vai continuar no breu, por mais que já esteja escrito em algum lugar.

Mundos paralelos
Mas tudo é determinado, então? Não exatamente. Existe mais um mundo mágico, onde o tempo e o espaço não fazem sentido. Um jogo de futebol por lá, aliás, seria ainda mais bizarro que o do mundo de Einstein: quando o Ronaldo de lá parte com a bola dominada, ele se divide em 10, 20, 30 Ronaldos. E cada uma dessas cópias chega ao gol por um caminho diferente.
Mas aí vem o pior: nenhum torcedor consegue ver esse milagre da multiplicação. Cada um enxerga um único jogador, dando uma única arrancada.
E agora, a bomba: nosso mundo também funciona desse jeito. Mas, pra tristeza das aspirantes a Daniela Cicarelli, só na escala das coisas absurdamente pequenas, a das partículas subatômicas. “Sub” mesmo: se um átomo fosse do tamanho da Terra, um elétron não seria maior que uma bola de futebol. A realidade de partículas que nem o elétron, a da física quântica, segue uma lógica que não faz sentido aqui no mundo das coisas grandes: tudo vive em um monte de lugares ao mesmo tempo. Se você fosse uma partícula subatômica, teria cópias-fantasma suas em Nova York, Paris e Plutão neste momento. Vocês estariam em lugares diferentes mais seriam a mesma pessoa, com a mesma consciência.
Isso só não acontece porque as bizarrices do universo quântico não existem no mundo das coisas maiores – o dos átomos inteiros, moléculas, planetas…
É como se a nuvem de cópias-fantasma das partículas fosse esmagada pelo “peso” das coisas grandes.
Essa nuvem, afinal, é o que há de mais delicado e indeterminado. Os próprios equipamentos usados para detectar partículas acabam com ela. E tudo o que os cientistas conseguem ver quando tentam olhar para a nuvem de cópias-fantasma é uma partícula solitária. Essa sobrevivente aparece em qualquer parte da nuvem, num lugar impossível de prever. E seus clones somem, como se tivessem sido só parte de um sonho.
Ou não. Muitos físicos acham que o nosso mundo é tão onírico quanto o subatômico. Para eles, quando algum pesquisador tenta olhar as infinitas partículas-fantasma da nuvem quântica e só consegue ver uma, não é que as outras evaporaram: é que o cientista se dividiu em cópias infinitas, espalhadas por universos paralelos! Exatamente. É o que diz a teoria dos Mundos Múltiplos, moldada pelo físico norte-americano Hugh Everett em 1957. Ela diz que, se a partícula solitária que surgiu daquela nuvem de clones pode aparecer aqui, lá ou acolá, você também pode. Uma versão de você em um universo vai encontrar a partícula aqui. Outra, em um segundo universo, encontra ela lá. Uma terceira, acolá. Sem limite nenhum.
A idéia é que a gente vive numa infinidade de universos, cada um com a sua realidade particular. E o conjunto desses cosmos pode ser chamado de “Multiverso”: um lugar onde tudo o que pode acontecer vai acontecer. Tudo mesmo. Se você encontrou alguém atraente numa festa, por exemplo, e não teve coragem de puxar conversa, pode ter certeza que, em algum universo paralelo, uma cópia sua chegou nela. E levou um fora. Num terceiro, a cantada deu certo. Num quarto mundo paralelo, vocês se casaram. E por aí vai: com um sem-número de universos, as possibilidades da vida também seriam infinitas.
Viu o que a gente tem aí? Um futuro aberto pra qualquer coisa. Justamente o que a Teoria da Relatividade não aceita. “Nem a Relatividade nem qualquer outra teoria em que uma decisão leva a um só resultado são compatíveis com o livre-arbítrio. Já o Multiverso, com seus inúmeros mundos, não tem esse problema”, diz o físico inglês David Deutsch, da Universidade de Oxford, maior defensor da teoria hoje.
Bom, o que ninguém imagina é como a liberdade de escolha funcionaria nesse cenário sem bater de frente com Einstein. Uma hipótese, levantada por Greene, é que nós “pularíamos” entre um e outro universo paralelo cada vez que uma decisão fosse tomada. Tipo: se você resolve cantar aquela pessoa da festa, vai parar em um universo onde essa é a realidade já escrita. Se ela dá bola, vocês partem para um cosmos onde os dois ficam juntos.
Como esses pulos transcendentais aconteceriam? Ninguém imagina. “O certo é que os conceitos de identidade pessoal e de livre-arbítrio teriam de ser interpretados num contexto mais amplo, já que infinitas cópias de você e de mim estariam espalhadas por universos paralelos”, escreveu o físico em seu livro.
Você decide
A teoria está aí, bonitinha. Mas cadê a prática? Bom, o jeito mais viável de tentar provar que os universos paralelos existem mesmo, segundo os apoiadores da teoria, é verificar se outras formas de matéria se comportam de um jeito tão bizarro quanto as partículas subatômicas, pelo menos em laboratório. Ou seja: ver se coisas realmente grandes também podem ficar em vários lugares ao mesmo tempo.
Para alguns, isso seria como fazer as cópias que moram em outros cantos do Multiverso aparecerem por alguns segundos. Mais: deixaria claro que nossa identidade pessoal pode mesmo se repartir por uma infinidade de universos paralelos. Não faltam tentativas de fazer algo assim. O físico austríaco Anton Zeilinger, pioneiro nesse tipo de experiência, e que já colocou moléculas grandes, formadas por dezenas de átomos, em mais de um lugar ao mesmo tempo, estuda fazer isso com um vírus. Cientistas renomados, como Max Tegmark, do MIT, acham que isso pode provar a viabilidade dos universos paralelos. Para eles, se os vírus tiverem alguma forma primitiva de consciência, essa “mente” deles apareceria repartida em vários mundos. Daí para repetir a experiência com um corpo maior, como o meu ou o seu, seria questão de tempo.
Fechou, não? Para vários físicos ouvidos pela Sapiens, não mesmo. O próprio Zeilinger é contra a idéia: “Pra mim, colocar luz, átomos ou até bactérias vivas em vários lugares ao mesmo tempo não prova nada sobre universos paralelos. Essa teoria, aliás, me parece mais uma tentativa desesperada de aplicar nosso conceito de realismo ao mundo quântico. Só isso”. O austríaco está em boa companhia: “Penso que a estrutura dos mundos múltiplos só exista por um tempo infinitesimal. Muitos consideram que o colapso deles é uma ilusão ou algo assim. Eu não: do meu ponto de vista, ela é expulsa da realidade por um processo físico real”, diz Penrose.
Mas a teoria tem partidários de peso, como o alemão Dieter Zeh, que formulou boa parte da física quântica moderna: “É psicologicamente difícil para a maior parte dos cientistas aceitar interpretações como a dos universos paralelos. Mas acho que ainda não existem muitas possibilidades de derrubar essa hipótese”, afirma o cientista, da Universidade de Heidelberg. Só que até David Deutsch está entre os que acham “psicologicamente difícil” lidar com a teoria, pelo menos quanto ao poder que ela tem de abrir portas para o livre-arbítrio: “O Multiverso pode ser compatível com a liberdade de escolha, mas não consegue explicá-la. Não acho que estamos sequer perto de entender o que é, no fim das contas, o livre-arbítrio”.

E você? De que lado fica? Toda a liberdade de escolha do mundo está aí pra você decidir. Ou não.

 

 

Re-Blog de: http://ulissesflores.blogspot.com a.k.a Humm, então ta! 😀

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